sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Li o livro Nada Menos que Tudo do Rodrigo Janot - Lutando pelo Brasil . O Homem foi injustiçado! Compartilharam sua obra viralizadamente pelo Whatsapp e eu mesmo lí por alí. Já digo que isso é um impropério e que comprei o livro para a minha estante, mesmo já tendo conhecimento do conteúdo, em sua homenagem. Mas a injustiça do compartilhamento é o de menos, talvez isso traga a capilarização que o ex-procurador merece para ter seu legado devidamente colocado no ideário nacional.
Sou consumidor da notícia, no rádio, “impressa” e televisiva. Gosto de ter o panorama de todos os vieses para formar minha opinião. Leio CartaCapital, VEJA, Diário do Centro do Mundo, Brasil 247, O Antagonista, Revista Crusoé, Blog do Josias (sempre compartilhado pelo meu amigo Iran Valença ), assisto ao Jornal Nacional e Jornal da BandTV, escuto CBN e Rádio BandNews FM 100% do tempo que estou no automóvel (mesmo num Uber!). Adoro ouvir o Reinaldo Azevedo para ter uma noção de quão baixo um jornalista pode ir. Pela imprensa sempre foi massacrado.
Digo isso pois no livro o Jantot diz de forma assertiva que o Procurador Geral da República que trabalha direito só acumula inimigos, faz pouquíssimos amigos e perde muitos dos que já tinha. Ele conseguiu isso de forma maestral e por isso, com a importância suprema que teve no contexto histórico de seus dois mandatos, e mais ainda na Lava Jato, deu uma guinada na história do Brasil, não à direita ou à esquerda, mas avante, fazendo com que a mão PESADA da justiça alcançasse os realmente mais poderosos públicos e privados.
Nada como o Mensalão, pegando alguns bodes expiatórios para dar de comer à fome da população, punindo o mensageiro, mas indistinto dando em Chico e em Francisco, sendo algoz dos dois grupos que o conduziram ao topo MPU, e atingindo de morte os demais que poderiam levá-lo ainda mais alto se seu negócio fosse o lado negro da força e o carreirismo.
Cortou a cabeça política do Centro, da Direita e da Esquerda, e abriu caminho para o nada político, confundido com o Novo. Fato é que deu um reset, com dedo próprio, no jogo Brasil, alheio às forças malignas de metade (por vezes mais um) do STF. Não agradou ninguém do poder.
Conseguiu que todo o mundo plebeu achasse que tinha sido condescendente demais com aqueles de quem o incauto observador não gostava e duro demais com os seus prediletos. Colecionou inimigos de tal maneira que do alto da sua importância histórica suas noites de autógrafos foram um fiasco, e nem o pessoal que chegou ao poder por sua causa o prestigiou.
A história mostrará que foi o mais importante PGR até aqui e um José Bonifácio da reconstrução nacional. Exilado agora nos confins das memórias nacionais voltará como mártir, quiçá ainda vivo, sobre os cadáveres políticos dos abutres que fez comer da maçã envenenada e agora agonizam. No Novo Brasil que se fundamenta com a austeridade, a tentativa de tornar melhor o pesado e viciado aparato público e que rompe lentamente as amarras com o jogo político que só vê o interesse próprio, cabem muitos Janots. Para V.Ex.ª Janot ficam minhas deferências.