A população de Brasília cresce fora dos padrões nacionais desde sua fundação, aumentou mais de 400% de 1970 a 2000, superando então 2 milhões de habitantes, enquanto a população brasileira nem chegou a dobrar nesse período. Nos últimos dez anos, o Distrito Federal chegou próximo dos 2,5 milhões de habitantes, com população menor apenas que São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.
Os migrantes sempre foram os responsáveis pelo crescimento da população da cidade. Inicialmente, vieram os operários, depois as famílias dos funcionários públicos transferidos e, mais recentemente, o aumento se deveu ao incremento do funcionalismo e pelos trabalhadores dos setores de serviços. Brasília ainda é uma cidade em franco crescimento, mas está totalmente consolidada como centro urbano e já começa a apresentar dinâmica de metrópole. Áreas inteiras surgiram em poucos anos, com população, serviços e infra-estrutura própria. Abaixo vemos 3 fases do Plano Piloto em 35 anos de história:
O incremento do crédito disponível, tanto em quantidade quanto em qualidade, é o principal fator do crescimento do mercado, e conseqüentemente dos preços. Nos últimos 10 anos, presenciamos o aumento do poder de compra das camadas médias da sociedade, proporcionado pelo sistemático aumento no prazo para pagamento dos empréstimos, o crescimento no percentual financiável e grande redução nas taxas de juros, culminando num crescente acesso ao crédito por parte tanto dos construtores/incorporadores como pelos mutuários.
Do ponto de vista do mutuário de 2000 a 2005, o financiamento da casa própria pelo SFH era possível em para prazos de 10 anos e no máximo 70% do valor total, mas normalmente só era possível financiar de 40% a 60% e com o prazo médio de 7 anos. De 2005 até hoje, este prazo foi alongado gradativamente para até 30 anos, e atualmente o percentual financiável padrão é de 70%, podendo chegar a 100%.
Num cenário de crédito restrito - 2000 a 2005 - era preciso desembolsar grande parte do valor do imóvel (média de 50%) durante a construção, o pagamento do saldo devedor tinha prazo curto e os juros eram altos. Hoje o mais comum é desembolsar em trono de 30% durante o prazo da obra e financiar o saldo após receber o imóvel em até 30 anos.
Com a melhora na condição de pagamento foi possível incrementar o preço final utilizando a teoria do crédito: vende-se mais caro se forem concedidos condição e prazo. Hoje o imóvel da classe média é escolhido levando-se em consideração principalmente a parcela que cabe no bolso, mais até do que o valor final.
Vamos a um exemplo variando apenas o prazo. A compra de um imóvel de R$ 200 mil num prazo de 360 meses (ou 30 anos) com 10% de entrada apresenta uma parcela inicial de R$ 2104,42. Para o prazo de 120 meses (ou 10 anos) com a mesma entrada, a parcela fica em R$ 3.108,80 mensais. E o que isso quer dizer? Isso mostra que a renda do mutuário de um plano para o outro teve que ser incrementada em 47%. Ou seja, muito menos pessoas têm acesso a esse imóvel (ou a esse crédito) num período mais curto. E isso vale para todos os outros aspectos do crédito citados que melhoraram com o tempo.
Como existe uma tendência de que a população continue crescendo rapidamente e ainda é possível melhorar muito a condição de financiamento, acredito que ainda tenhamos um franco crescimento nos preços para próximos anos.
Para o próximo post: Com o rápido incremento dos preços de imóveis novos nos últimos 5 anos, com índices de 15% a 25% ao ano nas principais regiões do DF, principalmente devido à dinâmica descrita acima, floresceu o mercado do ágio. Muitos investidores descobriram que comprar um imóvel para revendê-lo depois de algum tempo (pronto ou não) era uma atividade bastante rentável. Saiba como essa dinâmica funciona e como se beneficiar dela no próximo post do Guru Imobiliário.

